No divã do tempo, somos quase todos pacientes solitários conversando com a solidão. Como será depois quando as cortinas do tempo nos envolver, o que acontecerá com o nosso nome e história ao entrarmos no portal da invisibilidade. Mas antes desse real acontecimento, ouviremos o inconfundível som das nossas lembranças, e conversaremos com os quadros nas paredes porque foi o que restou para nos fazer companhia.
O silencio se fará presente e ignorando a nossa ingratidão para com ele, nos abraçará e vai permitir que o vento sopre levemente e traga com ele o cântico de algum pássaro errante, que mesmo sem ninho não perdeu a vontade de cantar. Esse talvez seja mais um presente do universo, aprender a ver a realidade e ter a certeza de que nada é para sempre, nem mesmo a solidão.
Onde estarão parentes e amigos! A campainha toca, os ossos estalam ao tentar levantar-se, mas consegue, e vai ver que quem lembrou de visitá-lo, era apenas um desafortunado pedindo ajuda, enfim alguém falou com ele. Por graça pode ajudá-lo e retorna ao divã. As paredes frias parecem sofrer junto com ele, de repente a vontade de viver o faz cantar músicas que alegrou tantas pessoas.
Não está só, agora o vento agita pequenos arbusto e cria uma sinfonia, e misturando-se ao som das lembranças revive seus bons momentos e rir do quadro que o destino escolheu para lhe presentear. Recebeu sem maiores constrangimentos, a certeza de que existem pessoas que lhe amam mesmo a distância lhe faz feliz. Tem a consciência que para viver melhor, é necessário entender as outras pessoas precisam viver o seu próprio mundo, antes de parar do divã do tempo.
O homem do divã alerta para nunca deixar de viver todos os momentos, sejam eles passados ou presentes, já que o futuro não nos pertence. Tudo é passageiro, portanto, nunca se prenda a coisas de importância aparente, o que mais importa é a família, o amor que dedicamos a ela é a fama que nos acompanha depois daqui.
“O conhecimento é um farol na escuridão”
Antônio Lopes Bezerra